Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural do
  Município de São José dos Campos

COMPHAC


Terminologia na Conservação do Patrimônio Histórico Edificado

 

Agradecimento

 

Agradecemos à Prof. Sonia Bueno Affonso, responsável pela disciplina de Técnicas Retrospectivas da Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, da Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, por todas as informações constantes nessa seção, integralmente utilizadas, acerca das terminologias empregadas na Conservação do Patrimônio Histórico Edificado.

 

Eng. Vitor Chuster

Diretor de Patrimônio Histórico

 

EDIFICAÇÃO HISTÓRICA
caráter único e insubstituível, que representa importante testemunho de técnicas e/ou materiais e  aquelas  ligadas a fatos históricos relevantes

 

Carta do Restauro

Documento sobre restauração, divulgado através da Circular 117 de 6 de abril de 1972, pelo Ministério da Instrução Pública da Itália, solicitando escrúpulos em toda e qualquer intervenção de restauração.

 

Arto 4

Entende-se por salvaguarda qualquer medida de conservação que não implique a intervenção direta sobre a obra; entende-se por restauração qualquer intervenção destinada a manter em funcionamento, a facilitar a leitura e a transmitir integralmente ao futuro as obras e os objetos definidos nos artigos precedentes.

 

Ações preventivas:

Preservação e Conservação

 

Ações curativas:

Recuperação e Restauração

1.      Conservação

Todo o conjunto de ações destinado a prolongar o tempo de vida de uma dada edificação histórica.

Pode englobar um ou mais dos conceitos a seguir, que correspondem a um tipo de intervenção progressivamente maior:

1.1.   Manutenção

Conjunto de operações preventivas destinadas a manter em bom funcionamento a edificação como um todo, ou cada uma de suas partes constituintes:

§         Inspeções de rotina

§         Limpeza

§         Aplicação de novas pinturas

§         Reparos na rede elétrica e hidráulica, etc.

1.2.   Reparação
Conjunto de operações destinadas a corrigir anomalias existentes.

O termo "consolidação" é empregado como reparação, no sentido da manutenção da integridade estrutural da edificação.

1.3.   Restauro ou Restauração

O conceito de restauração traduz o conjunto de operações destinadas a restabelecer a UNIDADE da edificação do ponto de vista de sua concepção e legibilidade originais, ou relativa a uma dada época.

É um tipo de ação com algumas dificuldades éticas, que deve ser baseada em investigações e análises históricas inquestionáveis e utilizar materiais que permitam uma distinção clara, quando observados de perto, entre original e não original.

1.4.   Reabilitação

Conjunto de ações destinado a aumentar os níveis de qualidade de um edifício, para atender a exigências funcionais mais severas do que aquelas para as quais foi concebido. A reabilitação é empregada sempre que se pretenda adaptar o edifício para uma utilização diferente daquela para a qual foi concebido ou apenas torná-lo utilizável de acordo com padrões atuais.

1.5.   Reconstrução

É a ação de construir de novo uma edificação ou parte dela que se encontre destruída, ou em risco de destruição. Pode ser aceitável em casos especiais:

Edificações destruídas por cataclismos ou guerras

Edificações que estejam na iminência de ser destruídas, e que possam ser desmontadas e transportadas para local mais seguro.
Ex.: Abu Simbel no Egito.

Devem ser baseados em evidências históricas indiscutíveis.

Em qualquer outra circunstância a reconstrução de toda ou de parte de uma edificação é inaceitável.

2.      Outros conceitos

2.1.   Reversibilidade

É a possibilidade de um dado material ou solução construtiva poderem ser removidos no final de sua vida útil sem causar danos aos restantes materiais que com eles contatarem.

Trata-se de um princípio fundamental na conservação de edificações históricas sempre que se pretenda aplicar qualquer material novo, na medida em que ele deve poder ser retirado a qualquer tempo, quando deixar de cumprir as respectivas funções, sem causar danos aos materiais originais e sem contribuir para a perda da autenticidade da obra que se pretenda conservar.

2.2.   "Anastylosis"
É um termo de origem grega que significa remontagem de peças duma dada estrutura que existam num estado de desagregação. Em geral aplica-se a ruínas arqueológicas, com várias possibilidades como, por exemplo, a reconstituição de uma coluna de pedra a partir de seus elementos constituintes que se encontrem dispersos. Este tipo de atuação pode ser efetuado apenas em situações em que existam evidências indiscutíveis, quer históricas, quer resultantes da observação das várias peças soltas, devendo terminar no ponto em que essas evidências deixem de existir e se entre no terreno das conjecturas.

2.3.   Lacuna
A "lacuna" num objeto de arte, é uma interrupção do seu conteúdo representativo, semelhante, por exemplo, a um texto sem algumas linhas, que impede ou dificulta a fruição integral desse objeto de arte em toda a sua dimensão estética e histórica.

2.4.   Reintegração
A forma mais usual de ultrapassar o problema das lacunas, com especial incidência em operações de "anastylosis", é o seu preenchimento com materiais novos que permitam uma integração harmoniosa no conjunto e possibilitem, simultaneamente, ser claramente reconhecíveis com atuações efetuadas numa dada época, quando observados de perto.

2.5.   Pátina
Designa-se por pátina a alteração natural produzida pelo tempo nos materiais. Não deve ser confundido pátina com "sujeira", em especial aquela resultante da poluição atmosférica. Enquanto a pátina faz parte integrante de uma obra de arte e como tal deve ser conservada, a sujeira lhe é estranha e deve, consequentemente, ser removida.

 

A conservação deve, portanto, procurar manter ou restabelecer a unidade do edifício, sem cometer falsificações artísticas ou históricas e sem alterar os traços característicos da passagem do tempo sobre o edifício.

 

Tomada de decisão:

baseando-se sempre em análise exaustiva das fontes documentais:

 

bom senso &  prudência